terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SACUDIDELA



E como será amanha se o vento não disser o que aconteceu? Posso deixar escapar que mesmo dando de ombros com sua indiferença, me sinto dolorida.


É divertido te ver se esforçar para mostrar para mim que não somos nada um para o outro e que sente asco de mim. Um asco sinônimo de mel, que te hipnotiza a me seguir em cada passo ou gesto meu.

É notório que não posso merecer tamanho fel. Mas o coração, muito menos o meu, é incapaz de ouvir retóricas. Eu te olho nos olhos, mesmo que seja em soslaio e sacudo de palpitações. Porque tua voz rouca rompe meus espaços vazios.

Eu queria te chamar de amor, mas não devo. Não devo nem sentir o mínimo de amizade por alguém que me despreza, ainda que tão divertido. A vontade de rir que me dava a cada movimento forçado seu, foi digna de comédia dos erros.

Só não achei graça quando ensaiei uma lágrima ao te ver com alguém. Mesmo que esse alguém não fosse nada para você, ainda assim, era você.

Fiquei dolorida, com os braços doendo, a câimbra exposta, a ponta do sorriso se pronunciando e os olhos em misto de alegria e medo.

Não sei nada do que aconteceu, perdi seu mapa.

Até onde você vai com sua cena, meu bem?

Ontem um homem me roubou o celular e o curto dinheiro no fundo da bolsa. Eu insisti para não levar o pouco ou quase nada que tinha, mas ele foi irredutível, muito mais por vergonha de voltar atras do que por possuir o impossuível.


Eu não senti muita coisa. Nem raiva, nem ódio, nem desespero, nem simpatia. Era como se eu ficasse congelada no meio daquela rua, andando em vazio completo, sem destino e sem noção do que estava acontecendo ou iria acontecer. Uma anestesia da memoria e dos sentimentos.

Talvez a violência esteja tão impregnada em nossa vida que fica banal sermos assaltados. Eu olhava para aquele homem mirrado e tão comum, que custei a entender que ele poderia me fazer um mal. Até que suas ameaças aumentaram, a violência se pronunciou em seus olhos, quase forçada, pela ocasião e ele, de tão normal, virou um vilão.

Parecia uma dança escapar de uma faca. Jogo de cintura não me faltou, até que uma ponta de sangue sucumbiu na gota afiada e senti um frio de despedida.

Só lembrei da minha filha aquela hora, no momento do sangue eminente, de uma provável luta, um sofrimento terminal. Aquele sorriso cândido, tão meu, tão vivo...

Pensar em minha filha me protegeu. Meu manto sagrado de vida, o amor.

Esse amor que falta na humanindade, que permite que possamos olhar nos olhos do outro e compreender suas falhas, perdoar suas eventualidades e respeitar o próximo, sem para que isso provenha de sofrimento.

A maior perda não foi de objetos pessoais efêmeros, mas da dignidade.

sábado, 14 de novembro de 2009

PRISÃO




Não gosto do seu jeito. Me irrita. Deve ser porque posso me apaixonar perdidamente.
Não gosto de ouvir sua voz. Me incomoda. Deve ser porque ela resvala em meu cerebro como mantra.
Não gosto do teu cheiro. Me enjoa. Deve ser porque me completa.

Tens um quê de homem perfeito que me atropela. Me dilacera o ar.

Seus olhos marejados que me dominam como canto de sereia. Estou de joelhos com suas mãos nos meus cabelos, me direcionado aos seus pés.
Não posso cair, não posso agora. Devo ter forças para levantar e ser maior, preciso te deter e, eu sim, te dominar, para que seja apenas um menino em minha vida, que eu ordeno, comando, direciono.

Só não encontro os meios... Ainda estou com você e seu olhar devastador me despindo. Minha voz nem sai mais para pedir socorro.

Quero ir embora agora.

LAPSO



Você é ruim. Fala comigo como se fosse nada, como se estivesse certo, como se a palavra fosse sua, exclusivamente sua. Esquece fácil que o erro foi seu, que ouviu demais, que disse muito além do que deveria.

Injusto e cruel.

Te apago hoje de minha vida e esqueço seu cheiro, seu gosto, sua imagem, como um lapso de memória recente, que mesmo no mais abrupto esforço, não se consegue lembrar de nada.

PERDEU!


Não me irrite. Sou dificil e, quando apaixonada, sou sua. Portanto, dê valor. Não me encontrará em qualquer lugar que for, nem sou figura fácil. Igual a mim, não há. Nem melhor que as outras, muito menos pior. Eu, aquela que só você pode ter, que se orgulha e que se orgulha de você.
Um fogo intenso, uma mente rara, exclusiva e diferente. Eu. Sensual e tua, fiel e apaixonante.
Odeio fofocas e homens que se afeitam a isso. Odeio mentiras e disfarces. Odeio palavras não ditas e intrigas veladas. Homem tem que ser direto, saber o que é, saber o que quer. Como eu sei o que sou e quero.
Portanto, não me irrite, não me venha com historinhas e nem com "achismos", olhe nos meus olhos e saiba que sou para você o que está ali. É assim que te vejo, sem palavras soltas no ar, sem pretensões além das ditas, sem ouvir comentários de terceiros.

Se me perder, será para sempre. Se me ganhar, será inteira. Se escolher as outras, não me terá. Se me escolher, terá tudo das outras e muito mais.

As cartas estão na mesa. Você quer ganhar ou perder?

SEM MARASMOS





Ele ri e eu esboço uma ira. Eu bravejo e ele sacode os ombros. Eu gargalho e ele espuma de ódio.
Combinamos, de fato.
Nossos olhos são de iguais, ambos precisamos de sangue quente para movimentar a libido. Ambos queremos o que há de mais intenso na vida e escorregamos fácil do marasmo. Queremos tudo, queremos mais. O copo sempre está cheio.

Eu o quero em mim, como se fosse tatuagem, como as que ele tem espalhadas pelo corpo, como as que eu tenho em frangalhos. Quero como quero a vida, sempre total, demais e fervente. Quero ele porque é do mundo, livre e curioso.

Quero beijar sua boca com sede e não me saciar. Te manter entre minhas pernas, preso e livre, solto e arfante, sem que deseje sair, sem causar resistência.
A vida é curta e os momentos passam rápido demais para haver resistências.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

TOQUE




Meu semblante está ermo, como mata densa e queimada de sol, mas caminho em direção ao nada, porque é mais dificil que com mapa.
Vou pousar minhas mãos nas tuas, bem de leve, com pureza de tato e loucuras prognosticadas, para que tu venhas, de leve como a pluma e firme como o vento forte e devastador, aos meus braços, de corpo e sonhos.
Ah perdido mundo de sonhos... doce ilusão de quimeras. Devasidão de medos inacreditáveis, meu coração palpita sem afinação e minhas mãos suam como bicas destruidas.

Tenho medo de tocá-lo e imunda-lo com meu desejo...

Mas, imprudente, me jogo, nos afagos plenos de maresias, nos meus delirios mais alucinantes, no meu devaneio mais incerto, é a ti que espero, que afronto, que embato.

É por ti, somente por ti, que meus sonhos se tornam realidade diante dos teus olhos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Por tanto, por enquanto.



Eu assumi o aspecto do amor e degustei a ambrosia dos sonhos. Tenho 220 rimas sobre a mesma palavra e as correntes de aço jamais me impedirão de seguir meus desejos.
Sou uma mulher simples, alada e branda e tudo o que tenho a dizer pode caber no silêncio.
"Eis uma consumação ardentemente desejável"...
Ser inteira ou me perder nas ondulações do vento? Defronte ao vazio, exponho uma lágrima de angustia. Uma quimera embebida de vinho tinto. Um copo derramado e os cacos que cortam meus pés.
Vinho tinto e sangue mancham minhas asas brancas como nuvem, mas ainda assim serão asas eternas.

Um dia a ternura se apossará de mim como um roupante, de tal forma que nada possa mudar o seu rumo. De tal jeito que meus trancos ríspidos sejam suaves como pés de bebes.  E o amor, em pleno frescor de sua forma, seja sinonimo de mim mesma.

Por enquanto divago. Sem fim ou sem esmo. Mas sempre.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Em pedaços me corto.


Em formatos me torno.

Em cacos me espalho.

No texto a forma.

Na letra a idéia.

Na palavra, eu.

Dilacerante Difame Distante:

Eu.




sábado, 17 de outubro de 2009

FATO





O que você quer de mim? O que pensa que está fazendo quando me beija daquele jeito e me deixa mole nos seus braços?
Você vai embora e eu permaneço, sem você e sem prisma. Sem meu juizo perfeito, sem a dureza das pessoas sensatas.
Quer dizer que me domina? então já disse, é fato. Me tem em suas mãos. Seus olhos penetrantes me aprisionam e sou incapaz de pertencer a outro homem.
Mas e o que me resta agora? A possibilidade e o talvez. Logo para uma menina tão ansiosa, que busca o céu sem limites e as palavras incontáveis. Um homem que me detém sem promessas, apenas as vãs, como as dos mentirosos...
Eu vou jogar seu jogo, mesmo que eu perca, pouco importa, mas não vou me entregar tão fácil.

QUE BOCA!



Que boca é essa que me beija, um beijo tão meu que parece cópia. As voltas dessa língua, permeando as linhas da boca mais recolhidas.
Meus lábios saem macios, insaciáveis e úmidos.
Quero tua boca toda, de dentro pra fora, multicolorida, cheia de sabores sublimes, que me convertem a ternura e a lúxuria, em movimentos inconcretos.
Me falta o ar e meus corpo não corresponde a lógica.
Mas para que lógica? Na tua boca, minha então, o mundo está perdido e eu, muito mais.

POEIRA



Eu preciso de sol no rosto, para arquear um pouco da pele pra cima e dar-lhes notas mais suaves.
Eu vou caminhar para esquecer que amo você, apenas pelo fato de ter vergonha de amar você. Pela vergonha, de você ter vergonha de me amar.
Tampe sua boca aos esboços do meu nome. Não o fale, sussurre. Não demonstre sua fraqueza. Não seja demasiado tosco diante da humanidade. Seja apenas poeira, que incomoda os olhos e os mareja. Que arfa a voz e transcende os cabelos. Um incomodo comum.
Tão comum quanto você é. Que aos meus olhos, está em outra dimensão.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

CANDY



Eu tenho vários na fila. Não estou morta, o tempo urge, a felicidade passa rápido demais, então eu me permito ser amada, objeto de desejo, ansiada pelos mais variados tipos masculinos.
Adoro ser querida, que mulher não gosta? Minha auto estima está sempre lá no céu.

Mas eu amo uma única pessoa, que é capaz de destituir toda a glória das requisições. Torna tudo tão banal e impróprio, que me envergonho da luxúria. A impáfia se desfaz e se torna medo. Daqueles medos de não ser tão perfeita, tão interessante, tão completa quanto se deveria. De ser pouca, quase nada. Um único homem, monstro torturante da insegurança.

Ah o amor, doce amor de confeitos de bolo, impregnantemente desagradável quando fora da geladeira por muito tempo. O doce se torna azedo muito rápido.

BEBADA




Gosto de tudo o que arde, mesmo que não seja em mim. Sou assim, desprovida de consenso e sem medidas.
Nada que seja pré-estabelecido me seduz. Fico incomodada com tudo o que aperta, até o nó na garganta. Por isso choro fácil, não suporto prisões.
Minha saia rodada gira como o mundo. Não caio com a tontura, designo o tempo a cair com as tentações.
Adoro todos os pecados e faço deles minhas fontes. Sou intensa e ardo, constantemente, sem precedentes, sem dogmas.
Para quê o controle?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PAIN




O fim só é real quando dói. Sem dor, tudo é possibilidade.


A dor causa uma sobriedade distinta, que me obriga a ver a realidade sem os laços cor de rosa.

A dor real não tem piedade, ela corta. Todos os vínculos e vícios e não escolhe a hora. É aquela e pronto.

Preciso da dor, ela me deforma. Ele me torna mais crível. Menos rasura.

OPACA



Olho no espelho e encontro uma mulher. Nem bela nem feia. Eu mesma, defronte minha visão pragmática.


Admiro minhas linhas, até mesmo as tortas, pois fazem parte de mim mesma. Cada uma tem sua história e as separo em capítulos de minha vida tão intensa.

Não tenho vergonha de meus quilos a mais, de minhas torções de identidade, de minhas marcas enraizadas, dos fios brancos que reluzem e se destacam.

Essa sou eu. Vida bem vivida e aberta para muitas outras estações e novas marcas.

Meu coração sangra e minhas mãos gelam.

Mancho o espelho e minha imagem de vermelho.

Incandescente. Como tudo o que será.

SEM CONTROLE



Ele é um carioca, pleno de sotaques e formas, que me reverte em desvarios em seu corpo tatuado. Ele tem gosto de sal e uma pele bronzeada, que incandesce meu corpo em desejos até então desconhecidos.


Meu corpo se arrepia com sua gíria perfeita, bem sussurrante em meu ouvido e por um momento sou dele, tão completamente que perco o siso.

“Ah, puxa meus cabelos...”

Ele perpetua o prazer sem que eu consiga mensurar as intermediárias.

Com ele não tem meio, só inicio e fim. Sem perdas, só intensidades. Sem dores, a não ser as estabelecidas e necessárias. Estala os dedos e posso ser dele, irremediavelmente dele, no sexo perfeito, na loucura mais intensa, na sandice mais incontrolável.



E para que encontrar a razão?

sábado, 3 de outubro de 2009

VOAR



Perolas e porcos, lamas e fragatas. Comum como quem morre. Sem preces ou fé, soberba e venenosa. Laciva e impregnada de asco pelo rancor e o amor destratado.


Um pulo, um salto e, ops, o abismo!

Saltar dele pode ser apenas uma opção, para mim é delirio.

Navegar em ar como pluma, como se as nuvens fossem flocos de ondas batendo em meu rosto e o ar não se permite entrar pelos pulmões.

O vento me carrega mais veloz que o imaginário, para o chão firme e duro. A realidade dolorosa e cruel que me corta os pulsos.

Meus olhos vagueiam em um foco certo. Tudo disforme, embassado até. Lágrimas caem desordenadas e entopem meu nariz.

Pode ser o sangue que fraqueja minha respiração. Meus pulmões sem vento, escorre em veias entupidas de memórias.

Apague já essas desgraçadas memórias!

A cabeça está ferida de tanto bate-la na porta. Quero que rache para apagar tudo o que nela persiste.

O abismo, esse despedicio. Se eu salta, ganho a eternidade. Se ficar as memórias me corroem.
 
Doce duelo...

MEU SANGUE

i



Queria te dar uma poção mágica, para que seu melhor lado ofusque o do veneno. Para que seu coração se abra em pétalas e que a frieza de teus olhos seja apenas parte de uma máscara.

Mas te dou minha alma, ou em menor porção, meu coração. Porque te amo e receber seu asco pode ser uma espécie de dever.

Não sei porque te amo, mas minhas pupilas não enxergam homem mais belo. Mesmo que seja comum, ainda assim é belo demais diante de mim.

Queria morrer a ter que chorar de saudades, pelo homem que tem a sordidez de me fazer mal.

Vou te esquecer, de verdade. Tá doendo agora e eu preciso de ar. Vai doer mais ainda, talvez eu não suporte, mas um dia vai sair.

Acho que vai, vou fingir que vai.

Um dia vou acordar sem lembrar do teu cheiro e nem sentir tua presença. E não farei nenhum plano e meu coração não saira pelos olhos e imundar minha vida.

Mas hoje não consigo. Dramatizo o amor não concreto, porque não vejo saída. Não escuto conselhos, muito menos a razão. Teu desenho desafia a ciência e não ignoro.

Preciso de você porque faz parte de mim. Se perpetua em meus gestos, nos meus sonhos e incomoda meus dentes.

Eu te amo. No escuro e no tato, ao longe e aos tapas, improvável. É você que quero. Meu alimento, meu ar...

Mas vou te esquecer, prometo.

TÁTIL




Uma criança.
Não pelos anos a menos, mas pelos gestos.
A condição de vida a que se submete.
As tolices em que ainda acredita com paixão.
A não me aceitar em sua vida, em forma de birra, batendo os pés e pleno de orgulho para não dar o braço a torcer que me ama, mesmo que não saiba o que venha a ser amor.
Vou te dar colo e acalmar teus ânimos.
Com crianças, só o amor prevalece.

PRECISO


Me abraça forte e me conforta. Meu amor, meu amor. Vou me perder em teus pelos, sem que me atice o sexo. Vou me banhar em teu dorso, porque para mim tu és água.




Deixa eu respirar...



Sem ti eu sufoco.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

TERMINAL



Vou começar meu caminho pelo fim. De você não quero migalhas. Sem promessas, sigo em frente, deixando as falhas para trás. Prometo que não vou te querer mais em minha vida, como tão pouco o que tem para me oferecer. Não tenho medidas do amor que sinto por você, então é a hora de ir, sem dizer adeus, para não chorar com despedidas.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

NÃO DÁ




"Você tem vergonha de mim? Diga logo, tem vergonha de mim? Tem medo de me olhar nos olhos e sentir falta de ar? Evita pensar em mim e contar todas as coisas que temos em comum? Morre de paura em me exibir para seus amigos e setenciar sua maturidade ofuscante?Eu te dou medo! Eu te proporciono secura na boca porque você não sabe dizer o que sente por mim. Não é só amizade. Não é só sexo. Não é só amor. Não se tem nome e você foge. Corre, para ser mais exata.Mas vergonha de mim é péssimo. Gritante saber que você ainda age como um menino tolo, em busca de bolas e pipas coloridas.
Não quero mais perguntas, quero respostas. Quero ação. Quero você inteiro. Metade não me completa."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

LUZ




Luz. Você é uma luz. Muitas vezes opaca em minha vida, mas é uma luz. Daquelas que se descobre de imediato o brilho e eu identifiquei como minha. Um encaixe de luzes do universo. Quase estrelas do céu. Eu e você, de alguma forma, somos estrelas que se unem numa só.

Eu descobri a sua luz assim que te vi, encostado no escuro. E você brilhava, me conduzia ao seu eu. Eu fui, estou indo até hoje e irei por muito tempo, porque de alguma forma você faz parte de mim, ilumina minhas sombras, movimenta minha alma.

Quero te mostrar o que é para mim, te mostrar o que sou para você. Mesmo que amor não se explique, não se conduza, ainda assim quero te mostrar a luz que se estancou dentro de mim e que me faz repetir teu nome tantas vezes como um mantra...

Luz, minha Luz...Luís.


TU



Nada se compara as tuas mãos. Nada se compara aos teus olhos cor de mel, nem aos teus cabelos de ouro velho. Meu corpo se enche de ti e se torna pleno nesse instante. Por todos os instantes.
O teu dorso nu me acalanta os dias. Tua língua me desvia de todos os caminhos pré-estabelecidos.
Porque tu és para mim a luz da estrada em breu, o raio que corta o céu, as águas dos rios submersos, o alimento.
Meus olhos entreabertos visualizam teu corpo inteiro. Coloco-te na meia luz para admirar tua silhueta.
Es para mim a fagulha do tempo, a redoma do mundo, o chão que me abriga.
Quero teus braços fortes a me proteger do frio. E tua fronte para encantar minha alma.
Vou tampar os ouvidos quando ouvir teu erro, porque te quero perfeito.

És para mim o sonho infinito, o amor, enfim.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PAURA


Tenho medo de não te pertencer, não só agora, mas à frente, no futuro, e em alguma parte de meu ser, não ser sua, plenamente sua, inteira e de fato.
Não tenho medo de nada, mas tenho pavor de não te ter aqui dentro de mim, de não estar dentro de você por um segundo, de não fazer parte de algum pensamento seu, mesmo que não seja de amor

No teu silêncio faço meu pranto. E me escondo para que isso seja apenas um momento, uma dor momentânea.

Um poema, como o que tem lido. Com uma estrofe que rima com volta, para que você amanha esteja do meu lado.

CAFA




Você foi o maior cafajeste que já passou na minha e olha que tive muitos. Mas eles sempre foram sinceros, se mostravam livres, mulherengos, arredios e eu comprei o pacote, decidi arriscar. Em todos fui feliz, apesar das cicatrizes. 
Eu não sou daquelas que dizem que deu tudo errado porque acabou. Acabou porque tinha que acabar, mas foi bom enquanto durou. Senão fosse assim, não teria continuado. Mas com você é diferente. O tempo vai passando e eu vou tentando encaixar uma felicidade maior do que o meu jeito estupefato com tudo o que aconteceu depois.
E o que designa o cafajeste?
Basta olhar nos teus olhos e identificar a sua covardia.
Você foi o homem que me deu sonhos. Que me trouxe uma visão diferente do amor. Que me deu poesia em meus dias. Que me causou inspiração para que eu sonhasse, que eu rimasse, enfim, que eu fosse melhor do que estava sendo de fato.
Você me deu uma proposta de felicidade que eu tinha guardado no fundo da gaveta, que acreditei que fosse apenas uma utopia inalcançável. Porque não teve um dia sequer que você não me tivesse puxado para sonhar com nosso futuro e nossa simplicidade inquietante.
Mas era um vão, uma bruma. Num dia, você disse que não queria mais, que não estava preparado para mim. E decidiu que isso explicaria o inexplicável.
Até hoje eu não sei bem porque você se foi, mas sei que depois você nunca mais foi o homem que amei.
Se cobriu de farsas, de intrigas, de pessoas e palavras desconexas a nós dois. Ouviu hipocrisias, acreditou em tolices, alimentou, por covardia ou maldade, a mentira.
Hoje se disfarça de cordeiro para permanecer transparente. Como se tudo o que aconteceu comigo não fosse sua culpa, como se eu soubesse explicar porque fiquei girando, tonta, por tanto tempo.
Eu te odeio. Lógico, o ódio é uma forma de amar e eu já te amei um dia. Embora eu tenha dúvidas se não eram apenas desejos de uma vida feliz, ou de paz, ou de que alguém me quisesse bem como a suavidade da música. Mas eu te amei e hoje te odeio. Porque odeio homens covardes. E isso, você é “expert”.        

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

UM QUERER


Eu só quero poder dizer que sem você fica tudo muito sem graça. Que é bom gostar de você pelo que tem de bom e de ruim. Que aprendi, mesmo que a distancia, aceitar seu erros e defeitos e que tudo o que quero é poder estar do teu lado nas horas certas e incertas.

Dura prova mostrar o que sou, sem que me rotule, me destoe. Mas me veja nua, sem adornos supérfluos, sem superfícies. Como sou é tudo o que você procura, o que te fará feliz. Porque o que sou é o que é o amor.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

MEUS SEIOS


Meus seios saltam de minha blusa, desinibidos e me fazem corar. Querem te mostrar que são seus, que precisam de sua boca neles, para se sentirem amados.
Precisam de afagos, apertos, anseios. De sonhos e projetos. Meus seios saltitantes sapecam em busca de sua morada: suas mãos. Aberta em concha, macia e quente, acolhida e farta.
Os bicos resplandecem como olhos apaixonados.

ALINHAVADO




Psiu, silêncio!
Ouça... ta ouvindo?
Não?
Silêncio!!!!
Escuta agora. É o barulho da minha lágrima caindo no chão.
É um barulho duro, seco, de doer os ouvidos.
O meu está doendo.
Ai, Para! Para de chorar, vou ficar surda. Para agora!

Quero lembrar de todos os adúlteros que propagam o êxtase do pecado da luxuria, meu pecado predileto.
Quero gargalhar como crédulo individuo que teima em acreditar em promessas.
Para que acreditar nas promessas que te fazem? São as mesmas que já fez e não cumpriu... Não vai cumprir nunca.
Promessas não são feitas para serem cumpridas.
As palavras parecem ninhos que me protegem do caos. O caos que me emaranharam de tropeços e mentiras. As palavras são belas, ficam alinhavadas em frases e eu adoro frases de efeito, daquelas que balançam as pernas e causam distúrbios, reboliços, transtornos...

Esse amor dói minha cabeça e me faz chorar.

Quero vomitar esse desejo entranhado, que me consome, me causa asco.
Me deixa olhando o mar, perdida no horizonte, mesmo quando não há mar.
Eu preciso me afogar, borrar meu rosto com carvão, atrapalhar meus cabelos e emaranhar meu corpo no meio do seu caminho, para que, invariavelmente, você tropece na minha carcaça impregnada de paixão.

Sou uma dissimulada... Vou discutir sobre a religião e posso até acreditar em Deus, se você quiser. Vou reclamar dos políticos e te mostrar como sou inteligente, porque citarei antropologia para falar dos corruptos.
Declamarei poesia defronte sua janela e cantarei em alto e bom som, até os meus pulmões emitirem uma melodia adequada, que te faça se comover, e quem sabe, até me olhar com ternura por um segundo.

Rodarei como um peão, até desmaiar estatelada no chão, até minha cabeça espalhar o que está perdido nela. Até eu não saber mais meu nome, de onde vim, o que faço naquele lugar.

Que lugar é esse que estou? Que barulho torturante é esse? Paraaaa... Para de chorar, eu não agüento mais ouvir esses gritos, nem essas lágrimas insuportáveis.
Eu quero o penhasco agora, para voar e ser um pássaro. Ou talvez um anjo que leve a mim mesma para um lugar que eu não possa mais me alcançar.

Xiiiii... silencio. Quero respirar.

JÁ ERA


Era carência esse amor todo que declarei a você. Quando você terminou comigo, chorei dias e noites por ter perdido o ombro amigo, o homem que me amava mais que tudo, aquele que me desejava como uma Vênus.
Não era amor. Nunca me sufocou pensar em você e nem me arrepiava os pelos a sua presença pujante.
A carência de ter um ser capaz de nos amar como já amamos tantos, motiva as lágrimas e o sentimento torturante de se deixar perder. Mas não podemos perder o que não se tem.
Se foi não era nosso, não era para ser.
Restou a poesia, as palavras, a música.
Hoje eu te vejo feliz, não sei se mais que poderia ser mas, com certeza, mais do que era comigo. E eu de cá, estou também com minha felicidade, sentindo suores por outro, que nunca senti por você.
Os sentimentos e seus quebra-cabeças. É mais fácil jogar cartas.

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu não tenho ódio de você, mas se quiser morrer fique a vontade...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O MAIOR DESEJO DA BOCA É O BEIJO

Disforme beijo de boca não beijada. Sai pela tangente, mescla desejo ao medo.

Dissonante beijo, não completo, arisco, fiasco.
Difame beijo, aos poucos, diminuto, econômico.
Dilacerante beijo, que me corta inteira, aos prantos no vazio.

Beija com tudo essa boca que te quer, mete tua língua inteira e vagueia entre a minha, sem dó e nem descanso. Chupa cada canto, mordisca os lábios que estão para você, oferecidos, quentes, molhados.
Nem me toca, apenas beija. Mova os lábios, o rosto, o corpo. Lateja, umedece, tilinta, suplica. Penetra tua língua na minha alma, que está aberta, temporariamente, a você.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FÓRMULA

Tá certo, vou inventar uma história daquelas... Dizer que tenho namorado, mostrar fotos dele e declarar a toda a população mundial, o quanto ele é lindo e me faz feliz.
Forte isso, né?
Então ta, esquece o namorado.
Vou te contar de minhas trepadas. Deliciosas, com os homens mais interessantes e potentes que passam diante de mim. Sou uma máquina de sexo e não sei mais contar quantos orgasmos consigo ter.
Ficou vulgar?
Ta bom... Vou te ignorar. Quando você entrar no msn eu vou te bloquear. Não vou mais ver tua página no orkut e em nenhum outro site de relacionamentos. Não vou te mandar emails e muito menos ligar.
E se você não perceber?
E se o melhor for eu insistir bastante, para ter uma hora que você perceba que é inevitável viver sem mim? Ficar ligando todos os dias para dizer “bom dia”, deixar recadinhos amorosos, declarações piegas, presentinhos inesperados... que tal?
Como seria fácil a gente fazer o que se tem vontade quando apaixonada. Falar o que se quer dizer, na hora que deseja, como quiser, sem se preocupar se ele está achando isso tudo muito fácil, ou ridículo.
Amar dá uma certa facilidade para o ser amado, não tem como negar. Porque já está lá, inserido nos planos do futuro e em todos os sonhos noturnos. Ah, diurnos também, porque paixão que se preza é pega durante todos os momentos do dia, deixando a gente com aquela cara de bobo porque pensou no “môzão”.
Deixa para lá, não tem fórmulas, não é? Teu jogo é qual? Me desprezar? Então fique com ele. Quero amar você e se não é capaz de entender a clareza de lenços alvos, que acenam para você, então é melhor que você se distraia por ai, com saias e pernas que te dêem o vazio.

Vou engolir o desaforo.

CAIXA DE PANDORA

"Sou um anjo vestido de negro, com asas longas, pele alva, cabelos ao vento...
Carrego nas mãos mais que flechas do amor, mas cacos de mim mesma que se espalham pelo ar.
Minhas penas são amassadas, meio opacas pelo sol que me escapa. A lua é mais doce e complacente com meu marasmo.
Sem nuvens, mas pedregulhos na terra firme, chão batido, pés descalços..."

Eu gosto muito de doce. Adoro lamber um glacê, chantilli, cremes e semelhantes. Chocolate me enjoa um pouco, mas a cereja que vem no topo do bolo, é minha tara.
Adoro um salgado. Sempre que como um doce, preciso de um salgado para equilibrar meu paladar.
Sou um doce, mesclando com uma pitada de sal.
Eu vejo a vida como um algodão doce com flancos de azedume. Misturando fica gostoso. Separado, não dá para suportar.
Só como carne bem passada, odeio mastigar-la crua e com gosto de sangue. Basta o meu, que escorre fácil.
Sou essencialmente gustativa. Preciso que tudo de bom passe pelo meu paladar, para ser aprovado, inclusive os homens.
Passei um tempo acreditando ser uma vampira em potencial, pois sempre me apaixonei por um bom pescoço. Já olhei para um homem e não reparei absolutamente nada que o acompanhava, só pescoço, suculento e tenro, que seria capaz de suportar o meu mais ardoroso desatino.
Então, um homem com um pescoço grosso e forte já tem meio caminho andado para me conquistar. Se vier carregado de doces, então me terá para a eternidade.

Pode ser culpa do pescoço minha falta de sorte no amor.

Eu sou dada a absurdos e meus passos são constantes como uma montanha russa. Eu fico sempre tonta com meus devaneios, mas não consigo parar e ser normal. Não acho a menor graça em ser como todo mundo.

Meu corpo está deslocado de minha alma.

Adoro dar conselhos e sempre tenho a palavra certa, a frase exata e os meus amigos e observadores me agradecem e mudam suas vidas por isso. Não sinto o peso da responsabilidade de minhas ações, pois as considero lógicas. O sentido da verdade é você acreditar em tudo o que faz, mesmo que pareça errado para alguém - ou para todos.

(Preciso ouvir meus próprios conselhos.)

A verdade é um vento que sai da minha boca, em brisa, em tufão, depende do meu humor. Falo o que vem a minha cabeça e adquiri técnicas de magoar menos, sem deixar de ser eu.

Mas sei mentir que é uma barbaridade...

Gosto de atribuir minhas qualidades as minhas profissões. Sou curiosa e nada sai de meu conhecimento, por isso sou jornalista. Meu temperamento é forte e intenso, porque sou atriz. Gosto de palavras e exagero quando escrevo, porque sou escritora. Tenho uma vida nômade, porque trabalho com música.

Mas na verdade, o que sou mesmo é uma mulher cheia de certezas, noutras um papel colorido, com rabiscos sem sentindo algum. Cheia de desculpas para dar, disfarces. A rainha da ilusão passageira. Mesclando doce e salgado para engordar mais. Na medida certa do exagero. Porque sou intensa e isso já arde demais.



"Agora eu sou um anjo. Negro, torto, disforme. Como são as minhas verdades."

PÉ DE SERRA

Quero dançar um forro com você, do jeito mais agarradinho, os pés no chão, arrastados, rosto colado, as bocas bem perto da orelha emitindo um calor que vem de dentro do sexo.

A sua mão delicada de arte foi capaz de me bater.
Não no bumbum em prognóstico de delírio, mas no rosto, conforme a ira.
Doeu mais te ouvir falar tolices, do que sentir o rosto inchando e a pele latejando.
A culpa foi minha, de amar o homem errado, sem controle de si mesmo, coberto de conceitos que nem ao menos sabe prever. O homem que a cada momento é um mistério a ser desvendado, um vazio de explicações, uma bomba prestes a explodir.
Que não é capaz de me dar o que está em suas mãos, tão simples, tão fácil, que nos pertence.
É isso que me condena: o mistério, o vazio, a bomba. Presa num labirinto de paredes finas, com espinhos nas laterais. Minha cabeça roda e não sei para onde ir.

Quero dançar um forro com você, bem agarradinho, quase sendo um. Talvez eu fique tonta, talvez eu esqueça.

AGORA

Me cubra de flores, da cabeça aos pés. Coloque diamantes em cada vinco do meu corpo e me permita brilhar mais que as estrelas.
Você está no erro, sempre esteve. Sempre achou que seria fácil me subestimar. Ledo engano, rapaz. Amo você, fato, mas também me amo demais.
Ande, caminhe em minha direção e faça um agrado. Preciso de agrados. Fartos elogios, inclusive. Acho enfadonho, mas quero que nesse momento, você se curve diante de mim. Eu mereço que me faças de rainha, que me coloque no pedestal e me impregne de elogios e conceitos.
Quero que me olhe nos olhos e, que nesse olhar, esteja o amor que mora por mim, lá no fundo de tua alma. E que tua voz fique rouca, baixa, tremula, ao falar meu nome. Nesse momento, se desfaça por mim e mostre que tudo o que precisa é do meu beijo.
Então me beije. Toque meus lábios de forma delicada, até dominar de vez minha boca e a detenha pela eternidade.
Me faça mulher, sua mulher, frágil, macia e mole, nos teus braços fortes. Quero esses braços me envolvendo, a meu dispor. Vou te deixar de pernas fracas, para que não consigas dar um passo que não seja para a minha direção.
Me dispa, admire minha beleza e meus erros, acate que não sou perfeita mas me veja como plena. Me alimente de orgasmos e libere meus instintos.
Meu homem... Aceite esse estado e sorria. Cansei de ser estaca e agora sou poder. Eu posso, eu vou te dominar. Estás nas minhas mãos como uma bola de gude jogada a esmo. A dor que tu me deste me designou poder.
E que o medo de me perder se faça presente. Porque da fagulha, se faz incêndio. E eu ardo.

CAMINHO DE FAGULHAS


 
Todas as vezes que te dei carinho, você me agrediu. Com o corpo, palavras, silêncios.


Um carinho no pescoço valeu um safanão. Um toque na perna, uma cotovelada. Um beijo no rosto e socos.

Todas as vezes que te falei de amor, você me contou das outras. Ignorou meu afeto com fragmentos de desprezo. Olhou para meus olhos cravejados de açúcar e virou seus ombros largos.

É fácil dizer que você não me merece. Fato consumado desde o primeiro movimento. E eu insisti. Insisto em cantar a mesma estrofe de amor encantado, como se os encantos de amor fosse propagados pelas letras. Como se essa canção chegasse até você. Queria acreditar que por trás de olhos cínicos, há algo escondido para mim.

Perdi a razão por migalhas. A verdade estanca. A tolice de insistir...

O que você tem que me aprisiona? O rosto dúbio? O jeito desconectado do mundo? A entorpecente idéia que nunca saberei o que é você?

Ainda aguardo no travesseiro, um rompante que me mostre que tolices de amor são aceitáveis, falta de amor próprio, não.