quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

DECEPÇÃO NÃO MATA, ENSINA A VIVER


Desata esse nó... Quero te ver de frente. Olhar teu olhos, não de fora, mas de dentro. Captar o que há por dentro mesmo, no amago de tua estupidez.
O que choro não é o ato, mas o que te move. O amor que te dei por tanto tempo, em vão, como se fosse um cumprimento qualquer no meio da praça, como se fosse um timtim, superfluo e remoto.
Tudo em você é assim, meio. Meio amigo, meio amor, meio sexo, meio vida. Uma passagem subentendida, nas entrelinhas e sem marcas, que só deixam um borrão que saem na chuva.
Colhes o que plantou no meio do teu caminho... Eu lamento que tenha sido fel.

METADE DE MIM



Eu preciso de sol no rosto, para arquear um pouco da pele para cima e dar-lhe novas nuances.
Eu vou caminhar para esquecer que amo você, apenas pelo fato de ter vergonha desse amor.
Vergonha... palavra tão triste e tão fora de mim que me assusto. Tenho vergonha de te amar, como pode isso?
Tampe sua boca aos esboços de meu nome. Não seja tosco, não me difame! Olhe para o sol... Se afine a ele para reverter tua alma tão cinzenta, em belos lírios nos campos verdes.
Quanta malicia em teus olhos! Desatine esse nó e siga. Porque é assim que meus dias se fazem claros, é assim que quero lembrar de teu amor.

Metade de mim é para você. A outra metade eu deixo ao vento.

SEM TITUBEAR






Amigo não é aquele que racha gasolina, paga o taxi e o chope ou empresta uns trocados. Nem o sujeito que ouve seus soluços de amor perdido.
Ser amigo é uma missão, sem nenhuma garantia de sobrevivência, muito menos seu dinheiro de volta, quiça o tempo perdido. Um casamento livre, porém cheio de responsabilidades, como são todas as relações.
É o amor sincero, sem os clichês de modismos e com o respeito profundo pela combinação de diferentes.
Ser amigo é entender essas diferenças e aprender com elas. Ceder e avançar, dar colo e bronca, ser pai ou filho, sempre revezando, se possível. Às vezes parece que damos menos, ou mais, mas tudo é uma questão de ponto de vista.
Ser amigo é jamais fazer chorar propositalmente, a não ser de alegrias. Não trair a lealdade e a confiança doada e mesmo na mais alta ira, perdoar.
Ser amigo é amar, sem remediar.

NADA



Tem hora que tudo perde o sentido, a direção, o motivo, a cor, o brilho, o sabor, a substância, as palavras, até o silêncio se torna remoto. Tem hora que a mente suplica uma saída e não acha, uma justificativa mínima para o estorvo. Um pedaço de morte onde tudo vire breu, já é um recomeço.
Pode ser.
Meus dedos enrigessem nesse mar de angustia que meu coração se enfurnou e que não consegue sair. Talvez não queira.
Melhor ser obliquo.