terça-feira, 8 de setembro de 2009

ALINHAVADO




Psiu, silêncio!
Ouça... ta ouvindo?
Não?
Silêncio!!!!
Escuta agora. É o barulho da minha lágrima caindo no chão.
É um barulho duro, seco, de doer os ouvidos.
O meu está doendo.
Ai, Para! Para de chorar, vou ficar surda. Para agora!

Quero lembrar de todos os adúlteros que propagam o êxtase do pecado da luxuria, meu pecado predileto.
Quero gargalhar como crédulo individuo que teima em acreditar em promessas.
Para que acreditar nas promessas que te fazem? São as mesmas que já fez e não cumpriu... Não vai cumprir nunca.
Promessas não são feitas para serem cumpridas.
As palavras parecem ninhos que me protegem do caos. O caos que me emaranharam de tropeços e mentiras. As palavras são belas, ficam alinhavadas em frases e eu adoro frases de efeito, daquelas que balançam as pernas e causam distúrbios, reboliços, transtornos...

Esse amor dói minha cabeça e me faz chorar.

Quero vomitar esse desejo entranhado, que me consome, me causa asco.
Me deixa olhando o mar, perdida no horizonte, mesmo quando não há mar.
Eu preciso me afogar, borrar meu rosto com carvão, atrapalhar meus cabelos e emaranhar meu corpo no meio do seu caminho, para que, invariavelmente, você tropece na minha carcaça impregnada de paixão.

Sou uma dissimulada... Vou discutir sobre a religião e posso até acreditar em Deus, se você quiser. Vou reclamar dos políticos e te mostrar como sou inteligente, porque citarei antropologia para falar dos corruptos.
Declamarei poesia defronte sua janela e cantarei em alto e bom som, até os meus pulmões emitirem uma melodia adequada, que te faça se comover, e quem sabe, até me olhar com ternura por um segundo.

Rodarei como um peão, até desmaiar estatelada no chão, até minha cabeça espalhar o que está perdido nela. Até eu não saber mais meu nome, de onde vim, o que faço naquele lugar.

Que lugar é esse que estou? Que barulho torturante é esse? Paraaaa... Para de chorar, eu não agüento mais ouvir esses gritos, nem essas lágrimas insuportáveis.
Eu quero o penhasco agora, para voar e ser um pássaro. Ou talvez um anjo que leve a mim mesma para um lugar que eu não possa mais me alcançar.

Xiiiii... silencio. Quero respirar.

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